quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O destino eterno de Deus

Por PAULO BRABO

Estocado em Fé e Crença

Inteiramente irrelevante para o resto do mundo, desenrola-se nos nossos dias um acirrado embate teológico que em nada fica devendo às elucubrações do escolasticismo medieval. O prêmio almejado por ambos os lados da discussão é o status de ortodoxia – a consagração de crença correta, oficial, credenciada, inquestionável e inquestionada. Em jogo está quem tem direito a usar a marca do verdadeiro cristianismo©. Com quem Deus vai ficar no final?

COM QUEM DEUS VAI FICAR NO FINAL?

CALVINISMO: Em defesa da soberania de Deus

Deste lado, pesando 400 anos e com treinadores peso-pesado como Martinho Lutero e Calvino, está o calvinismo, sistema teológico característico das igrejas de tradição reformada. Os títulos já dizem tudo sobre a sua origem histórica: o calvinismo ostenta ser extensão fiel da postura teológica geral da reforma protestante do século XVI – refletindo em especial o pensamento de João Calvino e de seus discípulos imediatos.

No que interessa para a nossa discussão é preciso dizer que o calvinismo enfatiza tanto a tremenda soberania de Deus (Deus faz o que quer) quanto a tremenda incompetência do homem (o homem é incapaz de fazer por si mesmo qualquer coisa de bom).

O calvinista crê encontrar na Bíblia que Deus é soberano, e entende com isso que o livre-arbítrio humano é coisa que não existe. O homem, atolado até o pescoço na fossa do pecado, não tem qualquer inclinação, capacidade ou independência moral para desejar a Deus, quanto menos o cacife para escolher tomar o lado divino a fim de encontrar a salvação. Os que são salvos são salvos por iniciativa inconcidional de Deus tomada na eternidade antes do tempo começar a se desenrolar – ou seja, não com base em qualquer mérito, disposição em mudar ou manifestação de fé do indivíduo favorecido.

A morte sacrificial de Cristo não beneficia toda a humanidade, mas apenas essa porcentagem de eleitos que Deus escolheu em sua misericórdia e sem precisar dar explicações a ninguém. Essa graça concedida em favor dos eleitos é “irresistível” – isto é, do mesmo modo que não fez nada para merecê-la, o predestinado não tem liberdade para rejeitá-la e vai acabar cedendo a ela na hora certa, e para sempre. Os outros, predestinados à destruição, não tem por um lado espaço de manobra para mudarem o seu próprio destino, por outro direito a reclamarem dele.

Não é sem fundamento bíblico que o calvinismo deita essas propostas aparentemente paralisantes e deterministas. O apóstolo Paulo, em particular, parece fornecer ampla credencial para cada um dos pontos defendidos pelos calvinistas. Para citar uns poucos exemplos:

Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou (Romanos 8:29-30).

…que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos (2 Timóteo 1:9).

Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia (Romanos 9:16).

O CALVINISMO ENFATIZA A SOBERANIA DE DEUS E A INCOMPETÊNCIA DO HOMEM.

O conceito de predestinação parece também ter feito parte integrante do discurso do próprio Jesus e de outras tradições apostólicas:

Se o Senhor não abreviasse aqueles dias, ninguém se salvaria; mas ele, por causa dos eleitos que escolheu, abreviou aqueles dias (Marcos 13:20).

Os gentios, ouvindo isto, alegravam-se e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos haviam sido destinados para a vida eterna (Atos 13:48).

Ancorado nessa qualidade de testemunhos o calvinismo sustenta que a soberania divina deve ser entendida em termos de um controle firme de Deus sobre as rédeas da história. A liberdade de escolha de que o homem crê desfrutar é ilusória, visto que o desenrolar do enredo, em especial no que diz respeito a baixas e resgates individuais, já foi definido por Deus antes das câmeras começarem a rodar.

As particularidades do sistema calvinista refletem com exatidão as condições ideológicas do mundo em que nasceu. A reforma protestante levantou-se em grande parte como reação aos abusos teológicos, sociais e políticos da igreja católica do seu tempo. Os reformadores mostravam particular indignação para com a obsessão circular da igreja católica com as “boas obras”, obras alegadamente meritórias e/ou sacrificiais através dos quais o adorador podia garantir – e muitas vezes comprar – a sua salvação. Os reformadores criam, e com acerto, que o Deus da Bíblia não admite barganhas; ele exige performance mas não aceita subornos e não reconhece méritos, promovendo a reconciliação exclusivamente através de sua própria postura cavalheiresca, a que os autores do Novo Testamento dão o nome de graça.

O calvinismo é o resultado de se levar a idéia de predestinação às suas últimas conseqüências lógicas. Se Deus predestinou, a graça é irresistível. Se Deus predestinou, não foi para todos que Jesus morreu. Se Deus predestinou, a liberdade humana é uma ilusão e uma farsa. Se Deus predestinou, ele conhece o futuro por inteiro e a história está pronta – apenas não terminou de ser filmada.


TEÍSMO ABERTO: Em defesa da liberdade

Deste lado, pesando menos de 30 anos mas alegando ser a reencarnação de um espírito muito anterior ao nascimento do calvinismo, está o teísmo aberto, batizado com esse nome em 1980 pelo adventista Richard Rice. O teísmo aberto traz à tona idéias que já circulavam sob alguma forma no pensamento de Jacobus Arminius, de John Wesley e de diversos teólogos do século XIX, porém aplica-lhes um matiz muito peculiar e arma-se de novos argumentos.

O teísmo aberto fundamenta-se na premissa de que muitos dos dogmas do teísmo clássico (e portanto do calvinismo) não tem sua origem na Bíblia ou na tradição dos apóstolos, mas são fruto de uma assimilação sacrílega de conceitos importados da filosofia grega. É o pensamento grego clássico e não a Bíblia – sustentam eles, e com acerto – que descreve Deus como sendo imutável, impassível e fora do tempo.

Seus partidários enfatizam que “atributos” de Deus como onisciência e onipotência não aparecem na Bíblia com esse nome, sendo generalizações posteriores forjadas a partir de indicações muito cautelosas dos autores bíblicos; mesmo o conhecido título de “Todo-Poderoso” é resultado da tradução arbitrária de uma expressão hebraica cujo significado original se perdeu. O Deus descrito na Bíblia é por um lado tremendamente poderoso, sábio e constante, por outro prefere definir-se por qualidades de auto-esvaziamento como misericórdia, tolerância e amor.

Em contraste com o calvinismo, o teísmo aberto enfatiza o caráter relacional de Deus (Deus desce da sua soberania para inaugurar um relacionamento aberto com o homem) e a liberdade e a responsabilidade humanas (Deus concedeu verdadeiro livre-arbítirio ao homem).

O partidário do teísmo aberto crê encontrar na Bíblia que Deus concedeu autonomia mais do que ilusória ao homem, e entende com isso que Deus não pode ser soberano como o classificam os calvinistas. O homem não pode salvar-se por si mesmo da sua condição, mas Deus desce da sua grandeza para convidar o homem a estabelecer um relacionamento livre com ele. Embora seja no fim das contas salvo apenas pela conduta galante e inclusiva de Deus, cabe ao homem rejeitar ou aceitar o convite para o abraço de reconciliação.

O TEÍSMO ABERTO ENFATIZA O CARÁTER RELACIONAL DE DEUS E A LIBERDADE E A RESPONSABILIDADE HUMANAS.

A morte sacrificial de Cristo beneficia de forma potencial toda a humanidade, porque o futuro permanece em aberto e enquanto vive o homem pode aceitar o convite da graça – convite esse que é tremendamente atraente mas não irresistível, já que Deus achou por bem relacionar-se com agentes livres e não com (a imagem é recorrente na argumentação dos teístas abertos) marionetes.

Todos estão portanto “predestinados” à salvação, mas o homem é livre para recusar esse destino glorioso e, como o Don Giovanni de Mozart, dizer no! ao mais sedutor dos apelos e abraçar voluntariamente o inferno. Como resultado dessa terrível liberdade que concedeu ao homem, Deus não tem como conhecer todos os detalhes do futuro – daí a corrente definir-se por uma visão “aberta” de Deus.

O Deus do teísmo aberto está inserido na história e não num inconcebível lugar fora do tempo; é um Deus que sofre e se relaciona; que está aberto ao diálogo e a mudar de opinião. É um Deus que, basicamente, recusou-se a viciar os dados e resolveu correr o risco da rejeição, na esperança de poder experimentar o verdadeiro amor.

Também não é sem fundamento bíblico que o teísmo aberto define suas proposições. O Deus da Bíblia sente-se muito à vontade no fluxo da história; as Escrituras judaico-cristãs fornecem abundante testemunho de Deus cedendo a pedidos, experimentando surpresa e desapontamento e mudando de idéia a partir da perfomance humana – incidentes que parecem contradizer a visão determinista do calvinismo. Inúmeros textos bíblicos enfatizam a responsabilidade humana no processo de salvação e o caráter relacional e recíproco das alianças de Deus com o homem. Algumas passagens chegam a falar de gente rejeitando trágica e deliberadamente (precisamente como Don Giovanni) o desígnio de Deus para suas vidas.

Arrependo-me de haver posto a Saul como rei; porquanto deixou de me seguir, e não cumpriu as minhas palavras (1 Samuel 15:11).

O Senhor se arrependeu de haver constituído Saul rei sobre Israel (1 Samuel 15:35).

Viu Deus o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria, e não o fez (Jonas 3:10).

Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência (Deuteronômio 30:19).

Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado (Marcos 16:16).

Deus deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade (1 Timóteo 2:4 ).

Ora, é para esse fim que labutamos e nos esforçamos sobremodo, porquanto temos posto a nossa esperança no Deus vivo, Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis (1 Timoteo 4:10).

Mas os fariseus e os intérpretes da Lei rejeitaram, quanto a si mesmos, o desígnio de Deus, não tendo sido batizados por ele (Lucas 7:30).

Ancorado nessa qualidade de testemunhos o teísmo aberto sustenta que a soberania divina deve ser entendida como uma supervisão geral do Deus poderoso sobre uma história que ainda não está pronta. No fluxo dessa narrativa Deus intervém, mas não manipula; age, mas não condena ninguém ao inferno. A liberdade do homem é terrivelmente real, refletindo a liberdade do próprio Deus; é o encontro dessas liberdades que qualifica o tipo de relacionamento que Deus propõe experimentar com o homem. Deus não escolhe se definir pelo seu tremendo poder, mas pelo esvaziamento de poder, conforme exuberantemente manifesto na encarnação e na carne de Jesus.

As particularidades do teísmo aberto refletem com exatidão as condições ideológicas do mundo em que nasceu: o nosso. Desde meados do século XX a posição político-ideológica prevalente no ocidente e em suas colônias é essencialmente libertária, isto é, glorifica a autodeterminação. A liberdade de decisão é o único valor inegociável da nossa cultura, e qualquer relação entre dois agentes é concebível, desde que seja consensual. Como resultado, nenhuma relação não-consensual nos parece legítima. Pela lógica libertária, dizer graça irrestível é o mesmo que dizer graça nenhuma. O determinismo calvinista incomoda os teístas abertos não apenas por negar a liberdade do homem, mas por limitar a liberdade de Deus. Entendem eles que o Deus da Bíblia é poderoso não por dirigir a história com punho de ferro, mas por garantir um resultado final positivo sem dobrar-se à solução fácil que seria controlar todas as variáveis.

O teísmo aberto é o resultado de se levar a idéia da predestinação às suas últimas conseqüências lógicas. Se Deus predestinou, a liberdade humana é uma farsa. Se Deus predestinou, Jesus morreu para beneficiar uma elite arbitrária de eleitos, o que é moralmente inaceitável e incompatível com o caráter amoroso e inclusivo de Deus revelado no tom geral da Escritura. A missão do sistema do teísmo aberto é libertar Deus das amarras da sua soberania e a devoção cristã das contradições impensáveis do determinismo.

CAÇADORES DE CONSEQÜÊNCIAS

O arcabouço dessa disputa precede em muito o cristianismo, visto que reflete a discussão, já presente entre os pensadores da Antiguidade, sobre a atordoante possibilidade (e a ainda mais atordoante possibilidade da impossibilidade) do livre-arbítrio. Em vocabulário ou mitologia contemporâneos, costuma-se especular até que ponto o comportamento do ser humano é determinado pela genética (como defende a sociobiologia) ou pela influência do meio (como sustentam muitas correntes da psicologia). Se (digamos) metade do nosso comportamento é determinado pela herança genética e a outra metade pela interação com o meio, restará espaço para o livre-arbítrio? A ciência, domínio para a qual transferiram-se desde o Iluminismo discussões metafísicas dessa natureza, não apresenta resposta unânime. Richard Dawkins e outros expoentes menos preconceituosos da ciência cognitiva tomam hoje por absolutamente certo que o livre-arbítrio humano é uma ilusão. Por outro lado, no universo selvagem da incerteza quântica simplificações como o determinismo é que parecem inconcebíveis.

Para calvinistas contemporâneos e teístas abertos, que procuram propor e responder a questão em termos de um outro tempo, a importância do embate entre soberania de Deus e livre-arbítrio fica clara quando se consideram as terríveis conseqüências lógicas, morais e ideológicas, de se abraçar a doutrina oposta.

Os teístas abertos começaram a ganhar terreno e adeptos denunciando, basicamente, o que vêem ser as abomináveis conseqüências morais do calvinismo. Para aceitar o calvinismo da ortodoxia, argumentam eles, é preciso endossar uma série de noções teológicas incompatíveis com o caráter generoso e relacional de Deus. Por exemplo: [1] que Deus é o único responsável pelo mal, [2] que Deus está mentindo quando dá entender que o homem é responsável por suas ações, [3] que a oração de súplica é uma farsa perversa, visto que o futuro é imutável e Deus não pode ser persuadido a mudar de idéia, [4] que de nada adianta pregar a boa nova, visto que os eleitos acabarão encontrando a luz de uma forma ou de outra, [5] que não existem injustiças sociais ou morais, visto que cada baixa de todas as guerras e de todas as pobrezas estavam previstas no roteiro original do próprio Deus.

“DEIXE DEUS SER BOM”.

Os calvinistas rebatem com o que creem ser as inadmissíveis conseqüências teológicas do teísmo aberto. O Deus do teísmo aberto é, reclamam eles: [1] menos do que onisciente, porque não conhece o futuro, [2] menos do que onipotente, porque não será capaz de impor a sua vontade se estiver restringido pela liberdade humana, [3] menos do que absoluto e eterno, por estar sujeito ao avanço linear do tempo no próprio universo que criou e [4] menos do que onipresente, porque o futuro não é uma realidade presente para ele.

Como demonstram essas séries muito simplificadas de objeções de ambos os lados, a preocupação fundamental dos teístas abertos é defender a bondade de Deus; a dos calvinistas é defender seus atributos.

Significativamente, um embate quase nos mesmos termos desenrolou-se há quase cinco séculos entre dois influentes pensadores cristãos, Martinho Lutero e Erasmo de Rotterdam, que trocaram acalorada correspondência sobre o assunto. Erasmo era ardente defensor da bondade de Deus, Lutero da sua soberania. Da mesma forma que calvinistas contemporâneos e teístas abertos, e quase com os mesmos raciocínios, ambos enxergavam com clareza as falhas teológicas e morais da posição do outro. Em determinado momento, desconcertado com a argumentação inclemente do seu oponente e resumindo sua expectativa e sua postura, Erasmo implorou a Lutero numa carta: “Deixe Deus ser bom”. Sem ceder um passo, Lutero retrucou em seguida, resumindo as suas: “Deixe Deus ser Deus”.

FOGUEIRAS VIRTUAIS: O martelo dos blogueiros

Esse é o tipo de discussão teológica que até dez anos atrás estava confinada a corredores acadêmicos e periódicos de seminário, avançando devagar e um artigo atrás do outro, longe dos olhos do público geral. Graças aos canais fáceis da internet, a altercação adquiriu um novo ardor e acendeu uma nova inquisição.

A disputa entre a doutrina calvinista e o teísmo aberto desenrola-se hoje em dia em blogs, fóruns de discussão, mailing lists, comunidades do orkut e mensagens reencaminhadas de e-mail. Nenhum líder tupiniquim chegou, que eu saiba, a abraçar abertamente o teísmo aberto, mas a doutrina calvinista conta com defensores pugnazes como a tradutora Norma Braga e os austeros pastores do blog O Tempora, O Mores (que assinam com a intimidadora advertência Very Strong Opinions).

Acusados com freqüência de flertar com o teísmo aberto são os líderes evangélicos que ousaram lamentar as conseqüências morais do calvinismo e opinar que a realidade talvez não seja tão simples. Em particular os impenitentes Ricardo Gondim, da Igreja Assembléia de Deus Betesda, e Ed René Kivitz, da Igreja Batista da Água Branca, sofrem pesado patrulhamento ideológico dos reformados. Tudo que esses dois dizem que pode representar alguma ameaça à ortodoxia calvinista – e eles dizem muita coisa do gênero: por exemplo, aqui e aqui – é imediatamente desconstruído pelos seus oponentes nos fóros virtuais que mencionei (por exemplo, aqui).

Os reformados acusam Gondim e Kivitz, no âmbito ideológico, de relativismo, que consiste na desconfiança tipicamente pós-moderna a posições doutrinárias categóricas e absolutas; no âmbito moral, de dissimulação, denunciando a hesitação da dupla em assumir publicamente que abandonou a ortodoxia em favor de uma doutrina alternativa – confissão que tornaria mais fácil o trabalho de desclassificá-los como hereges. Acusam-nos de não entender a verdadeira doutrina calvinista, na qual soberania de Deus e responsabilidade humana não são incompatíveis. Acusam-nos de falta de objetividade, confusão essencial e raleza de argumentação. Pelo que conheço dos dois (são meus amigos) essas acusações podem muito bem ter fundamento. Gondim e Kivitz, cujas idéias estão condenadas à reformulação eterna, escolheram o impalpável caminho da precariedade, que é tão largo que são poucos os que entram por ele. Sua fé diz mais a respeito às suas dúvidas do que às suas certezas; isso cria um precedente que é essencialmente destrutivo à supremacia da ortodoxolatria e precisa ser por essa razão eliminado pelos que se preocupam com esse tipo de coisa.

O EVANGELHO DA COMPARAÇÃO

Como Gondim e Kivitz, prefiro a confortável posição de denunciar o calvinismo sem endossar a doutrina do teísmo aberto – doutrina que é no fim das contas tão limitante e extrema quanto a que pretende invalidar. Agir diferente seria glorificar uma ortodoxia em detrimento da outra; desmanchar um ídolo para colocar outro no lugar. Responder com contra-argumentações às objeções dos reformados seria concordar com eles na sua pressuposição fundamental (e mais sem fundamento), de que a razão e o raciocínio dedutivo podem produzir conclusões acuradas a respeito do mecanismo de Deus.

Isso porque a falta essencial que os calvinistas encontram no teísmo aberto e na teologia racional é de lógica. Seus defensores prestam culto à lógica formal, seguindo implacavelmente de suas próprias premissas a conclusões estanques:

PREMISSA: DEUS É ETERNO POR NATUREZA

Como Deus é eterno por natureza, Deus não é restrito nem está contido no tempo.
Como Deus criou o universo, e como Deus não é sujeito ao tempo, e como o universo opera dentro do tempo, Deus também criou o tempo quando criou o universo.
Como Deus criou o tempo, ele existe fora do tempo e não está sujeito às suas propriedades e limitações.
PREMISSA: DEUS É ONIPRESENTE

A onipresença de Deus não é restrita pelo tempo porque Deus, por natureza, não é restrito pelo tempo.
Como Deus não é restrito pelo tempo, e como ele é onipresente, o futuro é uma realidade presente para Deus.
Como está em todos os lugares e em todos os instantes do tempo, Deus conhece todas as coisas, até mesmo as futuras escolhas de suas criaturas.
E assim por diante.

Porém o que alguém está realmente dizendo quando recorre a abstrações como “Deus é eterno por natureza”? O que é ser eterno por natureza? O raciocínio pode ser considerado um guia claro para a natureza da eternidade? O que é ser onipresente? Pode Deus estar presente em lugares que não existem? O futuro é um lugar? O futuro existe? Faz sentido falar do futuro como algo além de possibilidade? Faz sentido esperar que a perspectiva do tempo seja capaz de produzir vislumbres acurados sobre a natureza da eternidade? Faz sentido esperar que Deus faça sentido racional? Podemos tirar conclusões seguras a respeito de Deus a partir do raciocínio dedutivo?

A VERDADE CRISTÃ PODE SER INQUESTIONAVELMENTE ABRAÇADA, JAMAIS EXPLICADA OU ENTENDIDA.

Muda às exigências das teologias, a Bíblia não se rende em momento algum às pretensões da lógica formal, fornecendo testemunho distinto tanto em favor da inquestionável autonomia de Deus quanto da liberdade e da responsabilidade do homem. Do ponto de vista dos autores bíblicos uma coisa não nega necessariamente nem impõe limites à outra; ninguém precisa sair em defesa da bondade ou da soberania de Deus apenas para passar a ferro contradições aparentes, resultado da limitação do nosso ponto de vista. O mesmo Jesus que sugere que o Pai pode ser persuadido pela insistência pura e simples garante que Deus mantém o inventário até mesmo dos cabelos que nos caem da cabeça. Jesus, que sustentava que o domínio de Deus só pode ser vislumbrado a partir de comparações – “a que compararei o reino de Deus?” – cria que não é preciso escolher entre um Deus que muda de idéia e um Deus que está no controle de tudo; entre um Deus que resgata soberanamente e sem motivo e um Deus que concede autonomia e exige responsabilidade. Esses, provoca Jesus, são o mesmo Deus, e só permanecem incompatíveis enquanto nos dobramos ao apelo, sempre enganador em questões espirituais, da razão.

Certo é que o Deus da Bíblia, que recusa-se à rebaixar-se à lógica, não hesita em definir-se consistentemente por uma história de relacionamento com a sua criação. O homem teomórfico de Gênesis prefigura o Deus antropomórfico dos evangelhos. Entre uma capa e outra da Bíblia repousa o abraço terno desses dois. A mensagem consistente da voz ou das vozes bíblicas parece ser que a verdade de Deus só pode ser experimentada adequadamente pelo relacionamento – jamais pela razão, pela doutrina ou pela lei, que são símbolos ou intermediários.

A verdade cristã (“eu sou o caminho, a verdade e a vida”) é, desconcertantemente, uma pessoa com a qual podemos nos relacionar, não uma série de enunciados lógicos que possamos apreender através da razão. Como qualquer pessoa em qualquer relacionamento, a verdade cristã pode ser inquestionavelmente abraçada, jamais explicada ou entendida.

É nisso que reside a falha fundamental de sistemas estanques como o calvinismo e o teísmo aberto: não em alguma lógica interna deficiente, como quer tentar nos convencer o debate entre ambas as partes, mas na deficiência inerente da própria lógica para explicar as bases e o mecanismo de qualquer relacionamento, quanto mais a mais atordoante das paixões.

O efeito dessa nossa obsessão em precisar o conteúdo intelectual da verdadeira fé está em que enquanto fazemos isso conseguimos manter Jesus irrelevante para o restante e vasta maioria do mundo. A impressão que passamos é que a coisa mais útil e importante que o cristão pode fazer é definir intelectualmente e sem arestas a forma como Deus funciona e em seguida defender a todo custo o seu ponto de vista. O conteúdo revolucionário da mensagem de Jesus não chega a ser sequer levado em consideração, já que usamos a teologia como cortina de fumaça para não termos que encará-lo de frente. Enquanto tentamos determinar quem Deus vai endossar no final, não somos obrigados a enfrentar o impensável desafio que seria endossarmos os desafios dele.
Fonte:www.Baciadasalmas.com
No link abaixo segue um texto de Ricardo Gondim Acerca desse assunto:
Teologia Relacional - Que bicho é esse?

Mais um texto chato

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

É proibido Pensar- João Alexandre






Procuro alguém pra resolver meu problema
Pois não consigo me encaixar neste esquema
São sempre variações do mesmo tema
Mera repetições

A extravagâncias vem de todos os lados
e faz chover profetas apaixonados
Morrendo em pé rompendo a fé dos cansados
Com suas canções

Está de bem com vida é muito mais que renascer
Deus já me deu sua palavra

e é por ela que ainda guio o meu viver

Reconstruindo o que Jesus derrubou
Re-costurando o véu que a cruz já rasgou
Ressuscitando a lei pisando na graça
Negociando com Deus

No show da fé milagre é tão natural
Que até pregar com a mesma voz é normal
Nesse evangeliquez universal
Se apossando do céus

Estão distantes do trono,caçadores de Deus
Ao som de um shofar
e mais um hino importado dita as regras

Pra nos escravizar.


é proibido pensar

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A Teologia da Prosperidade


Por John Piper

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Gente nova, mundo novo


Por Ariovaldo Ramos
“Caminhando junto ao mar da Galiléia, viu os irmãos Simão e André, que lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. Então, eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram. Pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco consertando as redes. E logo os chamou. Deixando eles no barco a seu pai Zebedeu com os empregados, seguiram após Jesus”. Mc 1.16-20

Jesus chama homens de seus ofícios para serem pescadores de homens.

Eles eram pescadores por profissão, sabiam tudo sobre o seu ofício: reconhecer quando era tempo bom para a pesca; localizar cardumes segundo espécies; enfim, nada havia de secreto no mar e no caminho dos peixes para eles.

Jesus os chama para fazer o mesmo em relação aos seres humanos: conhecê-los como conheciam aos peixes e ao seu “habitat”.

Agora eles vão pescar pessoas, e há que conhecê-las e às suas circunstâncias, para tanto.

Então, Jesus, antes de tudo, chama pessoas, para serem seus alunos, com objetivo de os apresentar a seres humanos, de ensinar-lhes sobre a sua espécie, para que a compreendam e, portanto, se compreendam em suas circunstâncias, para que possam entender a beleza e a tragédia humana.

E essa é a missão: trazer as pessoas desta angústia para a possibilidade da beleza plena, como indivíduos e como sociedade.

Jesus os chama para serem solidários, para se reconhecerem no próximo e por ele se responsabilizarem - para se verem como parte da grande comunidade humana.

Nesse chamado não há etnocentrismo – pescadores de homens – de todos os membros da única raça que existe: a raça humana.

Os alunos de Jesus serão capazes de reconhecer os seus semelhantes em sua dor, em seu sofrimento, em suas circunstâncias.

Os alunos de Jesus, pela graça, pescarão pessoas da situação em que se encontram para que sejam tornados protagonistas da própria história, e agentes de mudança das circunstâncias que geraram, ou em que foram aprisionados.

Sem novo ser humano não há mundo novo. Os que se esqueceram disso levaram uma surra da história.
Fonte: Blog do Ariovaldo Ramos

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Vitoria de Obama remete a discurso histórico de Luther King


Há 45 anos, em 28 de agosto de 1963, Martin Luther King pronunciou um discurso que entrou para a história, memorizado pelo seu título e bordão 'eu tenho um sonho'. King, nascido em Atlanta na Geórgia em 1929, foi um pastor da Igreja Batista e ativista político que lutava pelos direitos civis para negros e mulheres nos Estados Unidos e em todo o mundo e em nome de sua militância, recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 1964. Foi assassinato no dia 4 de abril de 1968.

Em seu discurso, ele dizia: "Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais. Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade."



"Sei que meu pai estaria orgulhoso dos Estados Unidos", declarou a filha de Martin Luther King, Bernice, em entrevista à TV, segundo a agência France Press. "Isso quer dizer que o trabalho pelo qual meu pai e minha mãe se sacrificaram não foi em vão. (...) Me emocionei muito esta noite e chorei, ao escutar o anúncio da vitória de Obama", acrescentou.



Leia discurso de Luther King:



"Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação.

Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros.

Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.

Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação.

Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.

De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".

Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.

Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo.

Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia.

Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial.

Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.

Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.

Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.

E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"

Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.

Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.

Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.

Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.

"Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.

Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,

De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"

E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.

E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.

Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.

Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.

Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.

Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.

Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.

Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.

Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.

Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.

E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:

"Livre afinal, livre afinal.

Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."

Fonte:www.estadao.com.br/internacional/not_int273030,0.htm

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

De "mala" cheia!



Vendendo uma Bíblia dessas, até EU, que não acredito em nada disso, teria "Vitória Financeira".

É mole, depois EU é que sou o mala.

Deus nos livre!

Segue um vídeo muito interessante e confuso deste mesmo senhor que anuncia e vende "prosperidade", além de “Bíblia de Vitória Financeira” (sic)

Tem que ter estômago para assitir o final do vídeo, que é deprimente... Dá uma olhada na "turma" e tenta dormir com esse barulho.

Fonte: Crer é Também Pensar

sábado, 1 de novembro de 2008

Homenagem à Ricardo Gondim


Amigos, segue um texto interessante de René Vasconcelos

Ontem estive na igreja Assembléia de Deus Betesta e pude presenciar uma das pregações de Gondim. Apesar de muito criticado por diversas lideranças religiosas, considero o pastor Ricardo Gondim um exemplo tanto de ministro da Palavra, quanto líder cristão. Ele não se vendeu aos movimentos modernos cristãos, não mudou seu discurso com medo de perder membros e não mudou para vender melhor seus discursos. Ele continua crítico, filósofo e firme.

Gondim é mais que um pregador; ele é um pensador. E a igreja não gosta de pessoas que pensam. A igreja prefere pessoas que sejam simplesmente manipuláveis, enganáveis. Quando surge um pensador, um “herege”, como o chamam, os líderes manipuladores buscam um meio de atacá-lo e depreciar sua imagem. E isso é acentuado com Gondim, que não tem medo de citar denominações evangélicas que buscam lucrar com a fé cristã.

Gondim prega - biblicamente baseado - que o cristão não será nem mais nem menos amaldiçoado se ele der o dízimo; que ser dizimista não influenciará sua vida com Deus. Imagina o quanto essa pregação não pertubou os líderes que visam lucrar com os dízimos dos evangélicos e pregadores que cobram para pregar?

Eu tenho sido atacado, tanto na internet como na igreja, por líderes que temem pensadores por causa do que prego. E quando falo “líderes”, não são de congregaçõezinhas de bairro. Tenho sido perseguido por apóstolos e certos pregadores dos Gideões. Homens que buscam religiosidade cega para doutrinar e “encabrestar” seus seguidores. Homens que pulam, gritam e sapateiam sobre púlpitos, a título de manifestação divina, simplesmente porque não sabem ensinar. Falam o que o povo quer ouvir e recebe o dinheiro deles em troca. São um câncer para a igreja e têm levado o cristianismo no Brasil a falência. Hora de darmos a volta por cima.
A Igreja precisa de homens como Ricardo Gondim, que não tem medo de dar a cara a tapa, que pregam uma verdade doída, mas real. Que ensina ao invés de gritar, que faz refletir ao invés de cegar, que abre horizontes ao invés de tirá-los de seus seguidores. Me lembra Lutero sendo chamado de herege pelo corrompida igreja católica. Hoje, a corrompida igreja evangélica o chama de herege e amanhã ele será lembrado como reformista do cristianismo no Brasil.
Fica aqui minha gratidão a Deus pela vida de Gondim. Como homem ele é corruptível, pecador. Mas tem dado o exemplo, com sua vida, de que você não precisa ser santarrão para ser um líder exemplo; basta ter um coração contrito a Deus e amor por ensinar a pensar. E como ele mesmo diz: “Viver não é para amadores“. Liderar igrejas também não.
Se você não o conhece visite seu site ricardogondim.com.br
Texto extraido do site:
papo de teologo.gospelmais